'Quando tem 1% de chance, tem 99% de fé', diz médico que fez cirurgia de gêmeos siameses

'Quando tem 1% de chance, tem 99% de fé', diz médico que fez cirurgia de gêmeos siameses

No último domingo (31), o Fantástico contou uma história emocionante do mundo da medicina que envolveu profissionalismo e fé por parte dos médicos responsáveis. 

Diante da situação complicada dos gêmeos siameses, Arthur e Bernando, o neurocirurgião Gabriel Mufarrej disse: “Quando você tem 1% de chance, você tem 99% de fé".

Os gêmeos estão prestes a completar quatro anos, porém, necessitavam de uma vida independente, já que nasceram unidos pela cabeça, compartilhando um pedaço do cérebro e a principal veia que leva o sangue de volta ao coração.

Tratava-se de um caso muito raro e gravíssimo, segundo os médicos. Porém, depois de nove cirurgias, os dois estão separados. O procedimento foi considerado “extremamente complexo” e foi totalmente custeado pelo SUS — segundo o médico, custou milhões. 

Conheça a história

Depois de quase quatro anos de espera, o casal Adriely e Antônio, que são de Boa Vista, Roraima, conta como começou o drama.

Eles já tinham duas filhas quando a mulher engravidou pela terceira vez. Logo no primeiro ultrassom veio o susto  — não eram duas crianças perfeitas, mas uma cabeça e dois corpos. 

Quando o médico responsável marcou a primeira cirurgia, ele a batizou de “cirurgia do medo”, já que tinha ainda muitas inseguranças. As outras cirurgias foram acontecendo com um intervalo médio de 3 a 4 meses entre uma e outra. 

Durante o tempo em que os gêmeos estão no hospital Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer, a equipe médica disse que se sente parte da família, cuidando deles e até comemorando seus aniversários. 

Profissionalismo e humildade

As cirurgias que foram realizadas no Rio de Janeiro, apresentavam riscos de morte, em todas as etapas, conforme explica o médico. 

Depois de sete cirurgias, quando estava chegando o momento decisivo da separação dos gêmeos, o Dr. Gabriel disse que fez contato com o médico cirurgião infantil, o britânico Owasi Jeelani. 

Depois de várias reuniões online, Owasi veio para o Brasil para ajudar na cirurgia. “Por que eu não iria me aliar com a pessoa que tem mais experiência no mundo”, disse o médico brasileiro com humildade ao se referir ao profissional.

O Dr. Jeelani foi nomeado entre os 100 melhores cirurgiões do 'The Times' no Reino Unido em 2011 e os 100 melhores médicos de crianças, em 2012.

Equipe orando de mãos dadas

O vídeo do Fantástico mostra a equipe orando antes do início da cirurgia, no dia 7 de junho. No dia 9, na última cirurgia que durou 23 horas, o Dr. Gabriel revelou a conversa que teve com o Dr. Jeelani.

Ao dizer que estava muito difícil e questionar se realmente conseguiriam realizar a cirurgia com sucesso: “Ele me disse: eu tenho certeza que a gente vai conseguir, pois estou sentindo a presença de Deus aqui com a gente”. 

Visivelmente emocionado. o Dr. Gabriel disse que ninguém conseguiu falar nada ao final da cirurgia. “Ficou um silêncio no centro cirúrgico. A emoção tomou conta”, revelou ao descrever a dificuldade de todo o processo. 

Depois disso, ainda havia mais 8 horas de reconstrução craniana com os gêmeos separados. “Essa luta pela vida vale muito a pena”, disse uma das médicas da equipe.

“Um milagre”

“Eu fui para casa e pulava de alegria”, disse a mãe. “Foi um milagre o que a gente viveu”, reconheceu o pai. O Dr. Gabriel disse em entrevista que as crianças estão melhorando a cada dia, apesar do grande trauma cirúrgico. 

Os gêmeos seguem internados por um período indeterminado. É previsto que haja algumas dificuldades motoras, atraso cognitivo ou disfunções. “Mas eles terão um futuro que ninguém esperava que eles fossem ter”, explicou o médico.

A equipe brasileira será referência na América Latina para futuras cirurgias de separação de gêmeos unidos pela cabeça e também foi convidada para uma parceria com a Fundação Gemini Untwined, criada pelo doutor Owase Jeelani. 

Tanto os pais quanto os médicos agora sonham em ver os gêmeos tendo uma vida social. “Poderão se olhar de frente, ir à escola, curtir o sol, sentir o vento. O futuro agora será só felicidade, se Deus quiser”, concluíram.

Fonte: Guiame 

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