MPF: ex-deputada fez oração para quitar dívida de R$ 5 milhões

MPF: ex-deputada fez oração para quitar dívida de R$ 5 milhões

A Polícia Federal encontrou na casa da ex-deputada estadual e ex-prefeita de Juara, Luciane Bezerra (PSB), um papel com uma oração rascunhada pedindo ao divino auxílio para dívidas com agentes políticos.

A oração foi apreendida durante cumprimento de mandado de busca e apreensão na Operação Ararath e está anexada à denúncia feita contra ela e ex-parlamentares filmados recebendo maços de dinheiro no Palácio Paiaguás. Na época, Silval Barbosa era governador do Estado.

No verso do papel, datado de 4 de junho de 2017, estavam listados os valores e nomes de diversas pessoas a quem supostamente Luciane devia.

Ela, o prefeito Emanuel Pinheiro e outros oito parlamentares de legislaturas anteriores se tornaram réus na ação que investiga pagamento de “mensalinhos” durante o governo Silval.

“[...] O verso aponta a existência de uma dívida milionária com diversas pessoas, entre elas agentes políticos. O pedido final era: ‘Quitar todas as dívidas e ter renda própria dos nossos negócios e não depender mais de dinheiro de política’”, diz trecho da denúncia do MPF.

O verso do documento traz nomes como Celsinho, Orlando, Sachetti, Tarcísio, Custeio Bradesco, Adv (advogado) Marcos, Adv William, Neto e Casa Cuiabá com valores à frente. E ao final: “R$ 4 milhões a R$ 5 milhões”, que podem ser interpretados como o montante da dívida.

Para o MPF, o valor aponta que Luciane tinha dívidas muito maiores com pessoas físicas do que instituição financeira, o que comprovaria que ela tentava agir “à marginalidade” do sistema financeiro.  

“Nesta lista, destacamos que uma das menores dívida que a denunciada possui é perante a instituição financeira oficial Banco Bradesco. As demais dívidas são com terceiros que não são instituição financeira, justamente buscando agir à marginalidade do sistema financeiro quando se trata de negócios”, disse documento MPF.

Gravada em vídeo

A ex-deputada foi gravada pelo ex-chefe de gabinete Silvio Correa, em 2013, recebendo suposto dinheiro de “mensalinho” na Gestão Silval Barbosa.

Em determinado trecho do vídeo, Luciane ainda confessa que fez “compromisso” com o dinheiro do “mensalinho”.

“Quanto ao destino do dinheiro ilícito, a denunciada Luciana Borba Azoia De Oliveira declara: ‘Sabe por que Silvio, porque o problema é que eu tenho os compromissos. Se eu não tivesse feito eu não tava nem, nem importando, mas eu fiz aí agora é que eu não posso mais ainda’”, narra o MPF.

Em delação, Silval e Silvio afirmam que ficou combinado entre governador e parlamentares o pagamento de R$ 600 mil em propina para cada deputado estadual a fim de "garantir governabilidade". O pagamento seria feito em 12 parcelas de R$ 50 mil.

Para o MPF, o vídeo corrobora com a delação feita pelos dois. 

“A denunciada Luciane Borba Azoia Bezerra é clara ao mencionar ‘O pessoal tá falando que não vai votar o orçamento, Silvio”. Esse trecho corrobora a ‘governabilidade’ que Silval Da Cunha Barbosa mencionou que conseguia somente por meio de pagamento de vantagem indevida aos deputados da ALMT”.

"Mensalinho"

O juiz Jeferson Schneider, da 5ª Vara Federal de Mato Grosso, acatou a denúncia feita pelo MPF contra Luciane e outros nove parlamentares no dia 11 de setembro. 

A ação apura suposto pagamento de "mensalinho" a parlamentares. Um geupo foi gravado em vídeo pelo ex-chefe de gabinete recebendo o dinheiro.

São eles: os ex-deputados estaduais José Joaquim de Souza Filho (Baiano Filho), Luiz Marinho de Souza Botelho, Emanuel Pinheiro, Alexandre César, Gilmar Fabris, Carlos Antônio de Azambuja, Ezequiel Fonseca, Airton Rondina Luiz (Airton Português) e José Domingos Fraga.

Na decisão, o juiz Jeferson Schneider afirma existir um "suporte mínimo de provas quanto à materialidade e autoria dos crimes imputados pelo MPF", citando que, além dos depoimentos prestados por Silval Barbosa e Sílvio Corrêa, na condição de colaboradores, foram anexados aos autos os vídeos gravados pelo ex-chefe de gabinete.

Os vídeos, aliás, foram periciados e, conforme o magistrado, nenhuma adulteração ou manipulação das imagens foi constatada.

"Os peritos oficiais consignaram, em síntese, a ausência de elementos que indiquem adulterações no fluxo das gravações dos vídeos entregues por Sílvio Cézar Corrêa de Araújo", diz trecho da decisão.

Fonte: Midia News

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